O GAROTO DE
OMELAS

Naquele nascer do sol, desde que senti a grama úmida de orvalho embebedar entre meus dedos, Omelas caiu no inverno eterno. A vida humana de centenas, se tornou única, as casas esfarelando, o comercio em ruínas, os animais que sobraram silenciosos, a mais quietude que a mãe natureza poderia proporcionar ao medo, apenas um ou outro relincho de um cavalo percorrendo a floresta glacial. que a floresta pode ser, um ou outro relincho de um passeio em floresta glacial. As pegadas na neve sempre tem um tamanho único, das mesmas botas e quase sempre o mesmo trajeto. Esses rastros são meus. Só o que sobrou para Omelas foi um garoto. E o que sobrou para mim foi cada pedaço sem primavera deste lugar. O siliente das alcovas abafa os uivos de quando a avalanche tomou dos seres racionais a terra perfeita.

O trem continua passando por aqui, o vejo uma vez por semana. sua chaminé é a única coisa que muda, por alguns instantes, a paisagem que enxergo pelas montanhas no quintal desta cidade. Pelos trilhos, ele carrega toda minha vontade de conhecer o verdadeiro calor humano, mas os que saem de Omelas nunca voltam, sair de minha nova caixa, me consome do único sentimento que nunca deixei de sentir naquele armário de vassouras, o pavor.